Ontem e sempre, SALDANHA

Hoje, TASSO


1884

PÁTRIA, LIBERDADE E DEMOCRACIA

NOSSO É O DEVER DE DEFENDÊ-LAS!


2015

PRONUNCIAMENTOS DE CAMPANHA

REUNIÃO DO CONSELHO DE ALMIRANTES EM 28 DE DEZEMBRO DE 1992
PARTICIPAÇÃO DO VICE-ALMIRANTE SERGIO TASSO VÁSQUEZ DE AQUINO - VICE-CHEFE DO ESTADO-MAIOR DAS FORÇAS ARMADAS

Sr. Ministro, Srs. Almirantes,

Esta reunião, que congrega todos os Chefes Navais, parece-me a ocasião adequada para tratar de um assunto muito sério, cujo encaminhamento próprio tem de ser feito pelas vias hierárquicas, neste foro, portanto.

O governo que teve início em 15 de março de 1990, através da vontade manifesta de seu Chefe, apresentou um fato inédito na história republicana do nosso País: a relegação dos assuntos atinentes às Forças Armadas a um patamar de inusitada desimportância, traduzida em restrições orçamentárias de toda a ordem, que lhes prejudicaram a prontidão operativa e a atuação administrativa, além de repercutirem dramaticamente na vida de cada um dos seus integrantes, cuja dignidade pessoal e funcional foi alcançada pelo traumático arrocho salarial que lhes foi de propósito imposto. A isso, somando-se campanhas sistemáticas de calúnia e descrédito.

A pretexto de carência de recursos do Tesouro Nacional, os meios para manutenção do aprestamento das forças eram negados, com repercussões negativas na sua prontificação para cumprirem seu dever de garantir a soberania e a independência, e a integridade do patrimônio nacional. Igualmente, o achatamento dos vencimentos, em face da escalada constante da inflação e dos custos e preços de bens e serviços, repercutiu de forma sensível e sentida no moral do pessoal.

É nosso – dos Chefes – o indeclinável dever de reverter tal quadro tão danoso para a sobrevivência nacional, e esta é a hora aprazada, num momento de transição do governo, em busca de rumos mais consentâneos com as lídimas aspirações nacionais por moralidade, ética, responsabilidade na gestão da coisa pública; progresso, desenvolvimento e paz social, num contexto de afirmação soberana dos magnos objetivos nacionais.

Não tenho dúvida de que as grandes linhas de pensamento que orientaram as ações tendentes a questionar a existência das Forças Armadas, e a reduzir sua significação e sua presença na vida nacional, eram inspirados do Exterior, de inconfessados centros de Poder, basicamente de natureza econômica, acima e mais fortes que os próprios Estados nacionais, e que desejam manter o “status-quo”, a divisão mundial do trabalho tal qual se apresenta, o Sul – onde se destaca o Brasil por seu potencial – subjugado, fornecedor de matérias-primas e importador de ideias e de modelos de pensamento, e de bens – muitos totalmente supérfluos – e de capitais cada vez mais caros, pelos juros crescentes cobrados.

Daí, as ações contra as Forças Armadas, visando a reduzi-las à expressão de mera gendarmeria, responsáveis apenas pela guarda das fronteiras marítimas, terrestres e aéreas, pela guerra ao contrabando e ao narcotráfico, e constituídas de quadros cada vez menos qualificados, em virtude da remuneração cada vez menos significativa, quando comparada à de outros setores, do próprio Serviço Público, que, assim, se vão tornando mais atraentes para os jovens talentosos. Foram também alvos dessa nefasta ação, de desmantelamento e aviltamento salarial, outros setores do Estado essenciais à afirmação soberana do Brasil: o Serviço Público Civil, principalmente no seu segmento integrante do Plano de Classificação de Cargos, onde se inserem o pessoal de saúde, os professores de todos os níveis, os cientistas, os pesquisadores, engenheiros e técnicos responsáveis pelo desenvolvimento das tão necessárias Ciência e Tecnologia em nosso País.

Não é aceitável o argumento de que não existam recursos para esses setores – inclusive os militares – que são responsáveis pela soberania e a independência de nossa Nação, enquanto sobrem para os excessos remuneratórios do Legislativo, do Judiciàrio e dos segmentos privilegiados do próprio Executivo - aí incluindo as Estatais - , que constituem escárnio à pobreza e até miséria da maioria da nação, e deboche contra aqueles que, como nós, se sacrificam pelo Bem Comum.

De forma serena, porém firme e enérgica, creio chegada a hora de as Forças Armadas, de forma institucional e através dos legítimos canais hierárquicos, e estribadas na fortaleza moral que sua posição ética permanente lhes confere, cobrarem a volta da administração pública aos desejados padrões de sensatez na aplicação dos recursos do Erário, em benefício do Desenvolvimento mas também da Segurança da Nação, e sem privilégios de remuneração de qualquer natureza para eventuais castas, que usam o nome e o anelo por democracia como forma de se entronizarem em oligarquia nepótica e plutocrática.

Escola de Guerra Naval, Rio de Janeiro, 28 de dezembro de 1992.


COMENTÁRIOS SOBRE O TEMA

Estavam presentes, no Auditório da Escola de Guerra Naval, 87 dos 88 Almirantes então existentes, uma vez que um se encontrava na Antártica, em visita à Estação “Comandante Ferraz”.

Um silêncio profundo saudou o final das minhas palavras. Apenas o Sr. Ministro da Marinha observou que eu acabara de fazer excelente Análise da Conjuntura Nacional, em todas as Expressões do Poder Nacional, mas que os problemas se haviam iniciado bem antes, desde os tempos do governo Juscelino Kubitschek (estávamos no início do governo Itamar Franco, em seguida à “debâcle” do período Collor de Mello). Logo depois, encerrou-se a reunião.

Um colega de turma, muito meu amigo, chegou-se a mim, e disse, preocupado: “Se soubesse que você viria aqui falar essas coisas, teria pedido a você que não o fizesse!”. Em verdade, o Conselho de Almirantes servia para o Ministro e os Almirantes-de-Esquadra informarem formalmente os Almirantes da situação da Marinha em geral e por Setores e, em contrapartida, ouvirem dos seus subordinados mais graduados relatos e sugestões sobre os fatos correntes.

Exerci meu dever de, como sempre e com absoluta lealdade, elevar aos superiores e pares minhas preocupações com a situação nacional, que só se fez agravar desde então, pela introdução e crescente predomínio da perversão ideológica de esquerda extremada nos governos da República, que se aliou ao neocolonialismo atuante desde 1990, como consequência malsinada da Constituição de 1988. Ambas as tendências deram-se as mãos, interessadas em manter subjugado o Brasil e incapaz de alçar vôo empós do seu glorioso destino. Não sou neófito, nem arrivista, portanto, na defesa da alocação dos meios operativos adequados para Marinha e Forças Armadas cumprirem sua Missão e da remuneração condigna para seus integrantes, militares e civis, nem fiquei valente e atuante somente após passar para a Reserva, pois desde os tempos em que estava na ativa expunha responsável e claramente, oralmente e por escrito, minhas inquietações sobre o assunto, sem restrições mentais ou medo de eventuais prejuízos à carreira.

Minha lealdade e meu amor profundo pela Marinha e pelo Brasil jamais me permitiram esconder o pensamento, apenas para agradar ou alcançar aplausos, simpatias, situações ou posições privilegiadas. Com firmeza, convicção e coragem, sempre pratiquei, na carreira e na vida, os ensinamentos recebidos na família bem formada, do exemplo do Meu Pai, modelo e guia, o GEN DIV Tasso Villar de Aquino, na minha religião Católica Apostólica Romana, no Colégio Militar e na Marinha do Brasil.

Neste inverno da vida, estou-me apresentando, uma vez mais e sempre à liça, apenas para servir, sem nada mais esperar em troca. Vaidades e vanglórias fúteis não fazem parte das minhas vivências. O grande desejo e a motivação determinante é de combater o Bom Combate em benefício e em defesa da Pátria e das causas mais nobres! Sempre e enquanto forças tiver!

Em 31 de março de 1993, três meses depois da Reunião na EGN, fui passado “ex-officio” para a Reserva Remunerada, por não haver sido incluído na primeira lista, após o evento, para promoção a Almirante-de Esquadra. Não alcancei, assim, a sonhada Quarta Estrela - corolário de uma vida de dedicação ao Brasil e à Marinha, com reconhecimento unânime de excelente desempenho, no Brasil e no Exterior, de todos os Comandantes que tive, como atestam as páginas amarelecidas pelo tempo de minha Caderneta Registro de Oficial, e os testemunhos de todas as pessoas, brasileiras e estrangeiras, civis e militares que comigo privaram ao longo da existência - e para a qual, para mim, só haveria vaga um ano e oito meses depois. A grande, indescritível dor que senti, decorrente do afastamento forçado e prematuro da Marinha, minha paixão da infância e de toda a vida, à qual dediquei todas as minhas forças e todos os meus talentos por 41 anos e diante de cujas solicitações tudo sacrifiquei, inclusive interesses familiares e pessoais, para, através dela, sempre bem servir ao Brasil, acabou por ser assimilada ao longo dos anos e, assim o creio sinceramente, fez de mim um homem melhor pelo sofrimento. Cristãmente, abracei a minha Cruz e segui adiante, com ânimo e vigor redobrados, na luta que tem de ser permanente, brava e pertinazmente conduzida pelos BRASILEIROS verdadeiros em defesa DA PÁTRIA, DA LIBERDADE E DA DEMOCRACIA!

Rio de Janeiro, RJ, 01 de abril de 2015.
SERGIO TASSO VÁSQUEZ DE AQUINO - Vice-Almirante
Pela Chapa Liberdade e Democracia

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